Nessa vida de máquinas, concedemos o
espaço para quem primeiro necessita chegar. Nessa vida de máquinas, sentimos a
ausência do básico, para que a engrenagem possa funcionar. Nessa vida de
máquinas, levamos uma mochila que contém as coisas vitais para o dia, que
carregamos nas costas, se transformando em estorvo para quem precisa caminhar.
Nessa vida de máquinas, passamos com todo cuidado, para não tropeçarmos em seres
camuflados em notícias envelhecidas que se repetem a cada manhã. Nessa vida de
máquinas, ainda procuramos um alimento novo que não engorde, que deixe a pele
alva e o sexo novo. Nessa vida de máquinas, olhar nos olhos é ferir a carne
como se fosse o sol na íris do vampiro. Nessa vida de máquinas, o sangue não
pode ser vermelho, essa cor é de quem deve ser morto. Nessa vida de máquinas, um
verso no elevador cora a bochecha e faz surgir um sorriso no rosto da menina.
Nessa vida de máquinas, tem uma roseira que Aliete plantou e que não deixa de
brotar esperança. Nessa vida de máquinas, de mãos dadas ao pai, a pequena
percebe a junção das letras, o sentido de algumas palavras. Nessa vida de máquinas,
é um saco repetir quase sempre as mesmas coisas, vocabulário restrito de quem
não procura o impossível de voar. Nessa vida de máquinas, a página pulsa pela
derradeira palavra para que possa enfim descansar.
Muito bom! Gostei bastante.
ResponderExcluirvaleu, bom saber que andou passando por estas bandas
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